Menopausa & Osteoporose
Saúde Feminina na Menopausa
A chegada da menopausa, entendida como a cessação da
menstruação, é um fenómeno fisiológico em que a redução gradual do
funcionamento dos ovários exerce na mulher alterações físicas e psíquicas
determinantes que a fazem entrar numa nova fase da vida, após ter terminado a
sua capacidade reprodutiva.
Uma das patologias associadas ao período da menopausa é
o desenvolvimento da osteoporose, ou seja, o enfraquecimento dos ossos. A menopausa traduz-se numa
diminuição acentuada da produção de hormonas femininas. Estas hormonas têm uma
importante acção de protecção da estrutura óssea, resultando da sua diminuição
uma perda acelerada de massa óssea.
Desta forma, torna-se importante preparar o organismo
feminino na sua fase pré-menopausa, para que os sintomas associados a este
período da vida feminina sejam previamente controlados e suavizados os seus
efeitos no equilíbrio do organismo.
1. O que é a
menopausa?
A
menopausa é apenas o início de mais uma fase da vida da mulher após ter
terminado a sua capacidade reprodutiva e, por isso, cessam as menstruações. Pode
ser antecedida por uns anos ou meses caracterizados por irregularidades
menstruais, devido à falta de ovulações.
A
menopausa corresponde à cessação dos períodos menstruais e representa mais ou
menos uma data; por sua vez, o climatério é um espaço de tempo muito maior,
podendo as suas manifestações dividir-se em três fases: pré-menopausa,
menopausa e pós-menopausa.
A
menopausa surge por volta dos 50 anos, mas existem casos em que a mesma se pode
manifestar um pouco mais cedo, logo após os 40 anos de idade.
2. Sintomatologia
A
chegada da menopausa caracteriza-se por determinados sintomas que vão muito
além da cessação das menstruações. Entre esses principais sintomas
encontram-se:
a)
Sintomas vasomotores (afrontamentos,
calores súbitos, sudação e cefaleias)
A
descida súbita dos estrogénios leva a uma alteração do termóstato do organismo,
causando os afrontamentos típicos da menopausa.
Os
vasos sanguíneos da pele dilatam-se, fazendo com que mais sangue chegue à pele
e esta se torne quente. Os afrontamentos afectam cerca de 75% das mulheres, 80%
das quais referem afrontamentos durante mais de um ano e 25 a 50% durante mais
de 5 anos. Os afrontamentos podem durar entre 30 segundos a 5 minutos e ser
seguidos de calafrios.
b)
Sintomas psíquicos: humor
depressivo, insónias e irritabilidade;
A
queda dos níveis hormonais exacerba claramente as flutuações emocionais. As
insónias podem resultar directamente das alterações hormonais ou podem ser uma
consequência dos afrontamentos.
c)
Sintomas urogenitais: incontinência
urinária, secura da vagina e dificuldades sexuais;
A
deficiência em estrogénios faz com que as membranas vaginais se tornem secas e
finas e, consequentemente mais facilmente irritadas. Os efeitos podem incluir
prurido, ardor e dor durante ou após a penetração.
d)
Sintomas cardiovasculares: aumento
da pressão arterial e do colesterol, alterações no E.C.G;
e)
Outros sintomas: aumento do peso,
modificações da pele e do cabelo, artralgias, dores ósseas e osteoporose.
A
experiência da menopausa varia de mulher para mulher e de cultura para cultura.
Todavia, todas as mulheres enfrentam as mesmas modificações hormonais deste
período e há um grande número de sintomas físicos que são comuns a todas, como
os descritos anteriormente.
3. Fitoestrogénios no
alivio dos sintomas da menopausa
Os
fitoestrogénios têm-se revelado uma solução cada vez mais comum para aliviar os
sintomas da menopausa. Os efeitos hormonais dos fitoestrogénios são atribuídos
a uma família de compostos conhecidos por isoflavonas.
Os
alimentos ricos em soja têm um elevado teor destas isoflavonas, por isso
chamadas isoflavonas de soja.
O
termo fitoestrogénios resulta do facto de as isoflavonas serem compostos
vegetais, com actividade biológica, que, no organismo, imitam as acções dos
estrogénios naturais.
A
baixa incidência de cancro da mama e de doença cardíaca nas mulheres asiáticas
e o seu aumento nas que adoptaram a dieta ocidental incentivou a investigação
para averiguar se os alimentos ricos em fitoestrogénios, que são a base de
muitas dietas asiáticas, conferem protecção contra estas doenças.
Meta-análises
recentes indicam que os fitoestrogénios podem ajudar a:
-
reduzir os níveis de colesterol LDL;
-
combater as osteoporose;
-
prevenir alguns tipos de cancro;
-
aliviar os sintomas típicos da menopausa.
4. O que é a
osteoporose e como surge?
A osteoporose é uma doença particularmente frequente
em idosos e, muito especialmente, no sexo feminino após a menopausa. Caracteriza-se pela diminuição da resistência do
osso, tornando-o mais frágil e susceptível a fracturas.
Osso normal Osso com osteoporose
É
uma doença silenciosa e indolor, razão pela qual a maioria das pessoas
afectadas só descobre a patologia quando já está em estado avançado, isto é,
quando surgem as fracturas propriamente ditas.
As fracturas associadas à osteoporose atingem
preferencialmente a coluna, os ossos do antebraço (junto ao punho) e o colo
do fémur (junto à anca).
A importância e custo social
da osteoporose tem vindo a aumentar exponencialmente com o alargamento
progressivo da duração média de vida e consequente aumento da população idosa.
Ao aumento da longevidade acrescem certas mudanças de hábitos alimentares e de
trabalho que concorrem para a diminuição da massa óssea.
Tendo em conta que a idade é um dos principais factores
de risco para o aparecimento da doença, e uma vez que a população mundial está
a envelhecer, «o número de pessoas que
sofrerão uma fractura osteoporótica vai aumentar de forma dramática e vamos ter
um problema social muito grave», alerta Domingos Araújo, reumatologista
e Vice-Presidente da Associação Portuguesa de
Osteoporose.
Com a menopausa verifica-se uma
diminuição acentuada da produção de hormonas femininas - estrogénios. Estas
hormonas estimulam a actividade dos osteoclastos, células ósseas responsáveis
pela reabsorção do osso, resultando um aumento da perda de massa óssea.
5. Incidência da osteoporose
Em Portugal, a osteoporose afecta 500 mil pessoas, com maior
incidência na população feminina (uma em cada três mulheres). Designada de
"epidemia silenciosa" devido à ausência de sintomas, é frequente que o seu
diagnóstico seja feito tardiamente, na sequência muitas vezes de uma fractura
inesperada. O tratamento é, por isso, essencial no combate a esta doença
extremamente incapacitante.
Todos os anos ocorrem entre 30 a 35 mil fracturas osteoporóticas
e 80 mil doentes não seguem qualquer tipo de medicação. Nesse sentido, Portugal
é um dos países europeus com a taxa de tratamento mais reduzida: menos de 10
por cento de mulheres recorrem à terapêutica.
De acordo com dados do IGIF
- Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde, ocorreram em 2005
cerca de 10 mil fracturas osteoporóticas do colo do fémur, com elevados custos
financeiros e, sobretudo, sociais.
6. Factores de risco
Doenças ou cirurgias que aumentam o risco da doença:
·
Remoção dos ovários antes dos 50 anos
·
Cirurgia gastrointestinal
·
Transplante de órgãos
·
Anorexia nervosa
·
Artrite Reumatóide
·
Doenças Inflamatórias do Intestino
·
Perturbação da tiróide ou paratiróide
Outros factores de risco:
-Fractura depois dos
50 anos
- Dificuldade em
manter-se de pé
- Antecedentes
familiares de fracturas osteoporóticas
- Menopausa precoce
- Peso baixo
- Ausência da prática
de exercício físico
- Uso de corticosteróides
- Tabagismo
Na presença de um ou mais
destes factores de risco, o doente deve inquirir junto do seu médico o seu
nível de risco para a osteoporose e a eventualidade da realização de exames
adequados.
O combate e correcção destes factores de risco
constituem aspectos essenciais da prevenção da osteoporose, pelo que se
justifica a sugestão de alguns hábitos saudáveis nesta área da saúde.
7. Consequências
A perda de
tecido ósseo vai facilitar a ocorrência de fracturas que podem surgir mesmo com
traumatismos ligeiros.
As fracturas
mais frequentes e mais precocemente associadas à osteoporose são as fracturas
vertebrais, que são frequentes no sexo feminino depois dos 70 anos de idade.
Estas fracturas surgem com traumatismos mínimos (levantar um objecto, tossir,
etc.), podem passar despercebidas, mas causam dores nas costas e provocam
deformação da coluna, que se encurva, reduzindo a estatura.
Em segundo
lugar, surgem as fracturas do punho, que resultam de quedas em que a mulher se
defende amparando-a com as mãos.
A fractura da anca (ou
fractura do colo do fémur) é a terceira mais frequente e é a mais
incapacitante. É responsável por complicações importantes, quer a nível da
autonomia (o número de doentes que ficam com incapacidade motora após a
fractura é elevado), quer a nível da mortalidade pós-operatória (devido à
coexistência de outros problemas nas
idades avançadas).
Outras possíveis consequências são:
- Hospitalização
- Dor
prolongada
- Dificuldade
em manter-se de pé
- Necessidade
de recorrer ao apoio de uma bengala
- Diminuição
da estatura e curvatura das costas
- Degradação do
estado de saúde geral
- Redução da
autonomia - dependência de terceiros
8. Diagnóstico
A osteoporose
não se manifesta por nenhum sinal específico que leve ao seu diagnóstico. Pode
mesmo manter-se sem diagnóstico durante vários anos.
Quando o
médico suspeita da existência de osteoporose, quer pelos sintomas que o doente
refere, quer pela existência de factores de risco, pode pedir a realização de exames
complementares:
Densitometria
óssea
A medição da densidade óssea deve ser
proposta a mulheres na menopausa que pretendem iniciar terapêutica hormonal de
substituição e na avaliação dos resultados desse tratamento, a mulheres com risco
de desenvolverem osteoporose, a doentes que fazem tratamentos prolongados com
cortisona e quando há sinais radiológicos de osteoporose.
A densitometria óssea é um exame que
permite medir a densidade do osso através de imagens da anca e das vértebras
dorsais. É um exame indolor que se faz em poucos minutos.
9. Prevenção e
tratamento
A
osteoporose é uma das mais comuns, debilitantes e dispendiosas doenças crónicas e
a melhor forma de a evitar é através da sua prevenção. Estas medidas
preventivas devem começar logo no período da infância e continuar durante toda
a idade adulta. As principais
recomendações recaem sobre a prática de actividade física regular, evitar o
tabaco e o consumo excessivo de álcool e manter uma alimentação essencialmente
rica em cálcio, o nutriente mais abundante do osso.
Uma vez que nem sempre se conseguem atingir níveis
ideais de cálcio no organismo recorrendo apenas à dieta alimentar, os
suplementos de cálcio assumem neste contexto um importante papel. Cientificamente
desenvolvidos, estes suplementos ajudam a manter os ossos fortes e saudáveis, devendo
fornecer todos os nutrientes fundamentais para o metabolismo ósseo tais como
cálcio, magnésio, vitamina D e zinco.
Quando já não
for possível prevenir a osteoporose, esta deve ser tratada para diminuir a
velocidade da perda de massa óssea e reduzir o risco de fracturas. O tratamento
da osteoporose pode ser feito recorrendo à terapêutica hormonal de
substituição, que repõe os níveis de hormonas femininas, ou a bifosfonatos ou
calcitoninas, que reduzem a reabsorção óssea e consequentemente fazem aumentar
a massa óssea. A suplementação com cálcio deve sempre acompanhar as referidas
terapêuticas.
Fontes:
Sociedade Portuguesa de Menopausa
Associação
Portuguesa de Osteoporose
IGIF -
Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde
Vitabiotics
/ Prisfar

