Global Healthcare Network

Menopausa & Osteoporose

2008-10-07 18:11:28 | Disponível em RSS | Imprimir

Menopausa & Osteoporose

 

Saúde Feminina na Menopausa

 

 

A chegada da menopausa, entendida como a cessação da menstruação, é um fenómeno fisiológico em que a redução gradual do funcionamento dos ovários exerce na mulher alterações físicas e psíquicas determinantes que a fazem entrar numa nova fase da vida, após ter terminado a sua capacidade reprodutiva.

Uma das patologias associadas ao período da menopausa é o desenvolvimento da osteoporose, ou seja, o enfraquecimento dos ossos. A menopausa traduz-se numa diminuição acentuada da produção de hormonas femininas. Estas hormonas têm uma importante acção de protecção da estrutura óssea, resultando da sua diminuição uma perda acelerada de massa óssea.

Desta forma, torna-se importante preparar o organismo feminino na sua fase pré-menopausa, para que os sintomas associados a este período da vida feminina sejam previamente controlados e suavizados os seus efeitos no equilíbrio do organismo.




1. O que é a menopausa?

A menopausa é apenas o início de mais uma fase da vida da mulher após ter terminado a sua capacidade reprodutiva e, por isso, cessam as menstruações. Pode ser antecedida por uns anos ou meses caracterizados por irregularidades menstruais, devido à falta de ovulações.

A menopausa corresponde à cessação dos períodos menstruais e representa mais ou menos uma data; por sua vez, o climatério é um espaço de tempo muito maior, podendo as suas manifestações dividir-se em três fases: pré-menopausa, menopausa e pós-menopausa.

A menopausa surge por volta dos 50 anos, mas existem casos em que a mesma se pode manifestar um pouco mais cedo, logo após os 40 anos de idade.




2. Sintomatologia

A chegada da menopausa caracteriza-se por determinados sintomas que vão muito além da cessação das menstruações. Entre esses principais sintomas encontram-se:

a) Sintomas vasomotores (afrontamentos, calores súbitos, sudação e cefaleias)

A descida súbita dos estrogénios leva a uma alteração do termóstato do organismo, causando os afrontamentos típicos da menopausa.

Os vasos sanguíneos da pele dilatam-se, fazendo com que mais sangue chegue à pele e esta se torne quente. Os afrontamentos afectam cerca de 75% das mulheres, 80% das quais referem afrontamentos durante mais de um ano e 25 a 50% durante mais de 5 anos. Os afrontamentos podem durar entre 30 segundos a 5 minutos e ser seguidos de calafrios.

b) Sintomas psíquicos: humor depressivo, insónias e irritabilidade;

A queda dos níveis hormonais exacerba claramente as flutuações emocionais. As insónias podem resultar directamente das alterações hormonais ou podem ser uma consequência dos afrontamentos.


c) Sintomas urogenitais: incontinência urinária, secura da vagina e dificuldades sexuais;

A deficiência em estrogénios faz com que as membranas vaginais se tornem secas e finas e, consequentemente mais facilmente irritadas. Os efeitos podem incluir prurido, ardor e dor durante ou após a penetração.


d) Sintomas cardiovasculares: aumento da pressão arterial e do colesterol, alterações no E.C.G;


e) Outros sintomas: aumento do peso, modificações da pele e do cabelo, artralgias, dores ósseas e osteoporose.



A experiência da menopausa varia de mulher para mulher e de cultura para cultura. Todavia, todas as mulheres enfrentam as mesmas modificações hormonais deste período e há um grande número de sintomas físicos que são comuns a todas, como os descritos anteriormente.




3. Fitoestrogénios no alivio dos sintomas da menopausa

Os fitoestrogénios têm-se revelado uma solução cada vez mais comum para aliviar os sintomas da menopausa. Os efeitos hormonais dos fitoestrogénios são atribuídos a uma família de compostos conhecidos por isoflavonas.

Os alimentos ricos em soja têm um elevado teor destas isoflavonas, por isso chamadas isoflavonas de soja.

O termo fitoestrogénios resulta do facto de as isoflavonas serem compostos vegetais, com actividade biológica, que, no organismo, imitam as acções dos estrogénios naturais.

A baixa incidência de cancro da mama e de doença cardíaca nas mulheres asiáticas e o seu aumento nas que adoptaram a dieta ocidental incentivou a investigação para averiguar se os alimentos ricos em fitoestrogénios, que são a base de muitas dietas asiáticas, conferem protecção contra estas doenças.


Meta-análises recentes indicam que os fitoestrogénios podem ajudar a:

- reduzir os níveis de colesterol LDL;

- combater as osteoporose;

- prevenir alguns tipos de cancro;

- aliviar os sintomas típicos da menopausa.





4. O que é a osteoporose e como surge?

A osteoporose é uma doença particularmente frequente em idosos e, muito especialmente, no sexo feminino após a menopausa. Caracteriza-se pela diminuição da resistência do osso, tornando-o mais frágil e susceptível a fracturas.


Osso normal Osso com osteoporose

É uma doença silenciosa e indolor, razão pela qual a maioria das pessoas afectadas só descobre a patologia quando já está em estado avançado, isto é, quando surgem as fracturas propriamente ditas.

As fracturas associadas à osteoporose atingem preferencialmente a coluna, os ossos do antebraço (junto ao punho) e o colo do fémur (junto à anca).

A importância e custo social da osteoporose tem vindo a aumentar exponencialmente com o alargamento progressivo da duração média de vida e consequente aumento da população idosa. Ao aumento da longevidade acrescem certas mudanças de hábitos alimentares e de trabalho que concorrem para a diminuição da massa óssea.

Tendo em conta que a idade é um dos principais factores de risco para o aparecimento da doença, e uma vez que a população mundial está a envelhecer, «o número de pessoas que sofrerão uma fractura osteoporótica vai aumentar de forma dramática e vamos ter um problema social muito grave», alerta Domingos Araújo, reumatologista e Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Osteoporose.

Com a menopausa verifica-se uma diminuição acentuada da produção de hormonas femininas - estrogénios. Estas hormonas estimulam a actividade dos osteoclastos, células ósseas responsáveis pela reabsorção do osso, resultando um aumento da perda de massa óssea.



5. Incidência da osteoporose

Em Portugal, a osteoporose afecta 500 mil pessoas, com maior incidência na população feminina (uma em cada três mulheres). Designada de "epidemia silenciosa" devido à ausência de sintomas, é frequente que o seu diagnóstico seja feito tardiamente, na sequência muitas vezes de uma fractura inesperada. O tratamento é, por isso, essencial no combate a esta doença extremamente incapacitante.

Todos os anos ocorrem entre 30 a 35 mil fracturas osteoporóticas e 80 mil doentes não seguem qualquer tipo de medicação. Nesse sentido, Portugal é um dos países europeus com a taxa de tratamento mais reduzida: menos de 10 por cento de mulheres recorrem à terapêutica.

De acordo com dados do IGIF - Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde, ocorreram em 2005 cerca de 10 mil fracturas osteoporóticas do colo do fémur, com elevados custos financeiros e, sobretudo, sociais.



6. Factores de risco

Doenças ou cirurgias que aumentam o risco da doença:

· Remoção dos ovários antes dos 50 anos

· Cirurgia gastrointestinal

· Transplante de órgãos

· Anorexia nervosa

· Artrite Reumatóide

· Doenças Inflamatórias do Intestino

· Perturbação da tiróide ou paratiróide


Outros factores de risco:

-Fractura depois dos 50 anos

- Dificuldade em manter-se de pé

- Antecedentes familiares de fracturas osteoporóticas

- Menopausa precoce

- Peso baixo

- Ausência da prática de exercício físico

- Uso de corticosteróides

- Tabagismo

Na presença de um ou mais destes factores de risco, o doente deve inquirir junto do seu médico o seu nível de risco para a osteoporose e a eventualidade da realização de exames adequados.


O combate e correcção destes factores de risco constituem aspectos essenciais da prevenção da osteoporose, pelo que se justifica a sugestão de alguns hábitos saudáveis nesta área da saúde.





7. Consequências

A perda de tecido ósseo vai facilitar a ocorrência de fracturas que podem surgir mesmo com traumatismos ligeiros.

As fracturas mais frequentes e mais precocemente associadas à osteoporose são as fracturas vertebrais, que são frequentes no sexo feminino depois dos 70 anos de idade. Estas fracturas surgem com traumatismos mínimos (levantar um objecto, tossir, etc.), podem passar despercebidas, mas causam dores nas costas e provocam deformação da coluna, que se encurva, reduzindo a estatura.

Em segundo lugar, surgem as fracturas do punho, que resultam de quedas em que a mulher se defende amparando-a com as mãos.

A fractura da anca (ou fractura do colo do fémur) é a terceira mais frequente e é a mais incapacitante. É responsável por complicações importantes, quer a nível da autonomia (o número de doentes que ficam com incapacidade motora após a fractura é elevado), quer a nível da mortalidade pós-operatória (devido à coexistência de outros problemas nas idades avançadas).


Outras possíveis consequências são:

- Hospitalização

- Dor prolongada

- Dificuldade em manter-se de pé

- Necessidade de recorrer ao apoio de uma bengala

- Diminuição da estatura e curvatura das costas

- Degradação do estado de saúde geral

- Redução da autonomia - dependência de terceiros

 

 

 


8. Diagnóstico

A osteoporose não se manifesta por nenhum sinal específico que leve ao seu diagnóstico. Pode mesmo manter-se sem diagnóstico durante vários anos.

Quando o médico suspeita da existência de osteoporose, quer pelos sintomas que o doente refere, quer pela existência de factores de risco, pode pedir a realização de exames complementares:


Densitometria óssea

A medição da densidade óssea deve ser proposta a mulheres na menopausa que pretendem iniciar terapêutica hormonal de substituição e na avaliação dos resultados desse tratamento, a mulheres com risco de desenvolverem osteoporose, a doentes que fazem tratamentos prolongados com cortisona e quando há sinais radiológicos de osteoporose.

A densitometria óssea é um exame que permite medir a densidade do osso através de imagens da anca e das vértebras dorsais. É um exame indolor que se faz em poucos minutos.





9. Prevenção e tratamento

A osteoporose é uma das mais comuns, debilitantes e dispendiosas doenças crónicas e a melhor forma de a evitar é através da sua prevenção. Estas medidas preventivas devem começar logo no período da infância e continuar durante toda a idade adulta. As principais recomendações recaem sobre a prática de actividade física regular, evitar o tabaco e o consumo excessivo de álcool e manter uma alimentação essencialmente rica em cálcio, o nutriente mais abundante do osso.

Uma vez que nem sempre se conseguem atingir níveis ideais de cálcio no organismo recorrendo apenas à dieta alimentar, os suplementos de cálcio assumem neste contexto um importante papel. Cientificamente desenvolvidos, estes suplementos ajudam a manter os ossos fortes e saudáveis, devendo fornecer todos os nutrientes fundamentais para o metabolismo ósseo tais como cálcio, magnésio, vitamina D e zinco.

Quando já não for possível prevenir a osteoporose, esta deve ser tratada para diminuir a velocidade da perda de massa óssea e reduzir o risco de fracturas. O tratamento da osteoporose pode ser feito recorrendo à terapêutica hormonal de substituição, que repõe os níveis de hormonas femininas, ou a bifosfonatos ou calcitoninas, que reduzem a reabsorção óssea e consequentemente fazem aumentar a massa óssea. A suplementação com cálcio deve sempre acompanhar as referidas terapêuticas.

Fontes:

Sociedade Portuguesa de Menopausa

Associação Portuguesa de Osteoporose

IGIF - Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde

Vitabiotics / Prisfar

<< mais artigos