Doenças Respiratórias
Panorama Nacional
As doenças do aparelho respiratório têm uma incidência e
uma prevalência consideráveis entre a população de Portugal. Ao longo dos
últimos anos aumentou o número de doentes afectados por este tipo de doenças,
como consequência do aumento das alergias, do envelhecimento da população, da
alteração dos hábitos de vida saudável, do aumento da poluição ambiental e do
consumo de tabaco, entre outros factores.
Os especialistas que participaram no estudo Prospectivo
Delphi estimaram que, entre os anos de 2003 e 2010, as doenças do aparelho
respiratório tenderão a aumentar duma maneira geral em Portugal. Esta
previsão afecta de forma similar os homens e as mulheres, mas os especialistas
prevêem que a prevalência destas afecções evoluirá de forma diferente
dependendo da idade: entre os adultos e os idosos espera-se um aumento ainda
maior que entre as crianças e os jovens.
Entre as patologias onde se prevê um maior aumento até ao
ano de 2010 estão, para além das alergias, as doenças obstrutivas crónicas,
como a asma e a bronquite crónica.
Os factores que provocaram o aumento da incidência das
doenças respiratórias nos últimos anos são de diversa natureza. Por uma parte,
o envelhecimento da população está relacionado com o aumento das patologias do
aparelho respiratório, já que muitas delas afectam especialmente as pessoas de
maior idade. A contaminação atmosférica do exterior e do interior dos edifícios
é outro dos factores de risco mais destacados em qualquer grupo etário, estando
este associado aos processos de desenvolvimento económico e industrial dos
países. Também constituem um factor de risco fundamental determinados hábitos
de vida muito frequentes entre os portugueses, principalmente o consumo de
tabaco, e outros como a falta de actividade física e os hábitos alimentares.
1 - Asma
A asma afecta perto de 150 milhões de pessoas em
todo o mundo. Em Portugal, estima-se que cerca de 1 milhão de pessoas sofram de
asma.
A asma é uma doença inflamatória crónica das vias
aéreas que, em indivíduos susceptíveis, origina episódios recorrentes de
pieira, dispneia (dificuldade na respiração), aperto torácico e tosse,
particularmente nocturna ou no início da manhã, bem como com o esforço físico
ou após a exposição a poeiras orgânicas ou inorgânicas.
Estes sintomas estão geralmente associados a uma
obstrução generalizada, mas variável, das vias aéreas, a qual é reversível
espontaneamente ou através de
tratamento.
A) Quais são os sintomas?
Suspeita-se de asma em presença de historial de um
dos seguintes sinais ou sintomas: tosse com predomínio nocturno, pieira
recorrente, dificuldade respiratória recorrente e aperto torácico recorrente.
Eczema, rinite alérgica, história familiar de asma
ou de doença atópica estão frequentemente associados à asma. Uma observação
torácica normal não exclui a hipótese de asma.
B) O que provoca ou pode agravar a asma?
Os sintomas de asma podem ocorrer ou agravar-se em
presença de:
- Alergia
aos ácaros, aos pólenes e aos fungos;
-
Alergias a alimentos;
- Exercício
físico;
-
Infecção viral;
- Pêlos
e fâneros de alguns animais domésticos (cão, gato, etc.);
- Penas
de alguns animais (pombos, pássaros, etc.);
-
Poluição exterior (partículas de diesel, SO2, CO2, Ozono, etc.);
-
Poluição de interior (fumo de tabaco, compostos voláteis, etc.);
- Alterações
de temperatura do ar, nomeadamente do frio;
-
Emoções fortes, principalmente quando desencadeiam o riso ou choro;
-
Produtos químicos inaláveis;
-
Alguns medicamentos.
C) Como é feito o diagnóstico da
asma?
O diagnóstico da asma tem por base:
- A
história clínica - para determinar a presença de sintomas e as suas características,
relacionados com exposições a factores de agressão;
-
Exame específico - para determinar sinais de obstrução brônquica, embora um
exame normal possa possibilitar o diagnóstico;
-
Avaliação funcional respiratória - para comprovação de obstrução brônquica, da
presença de hiperreactividade brônquica e de limitação variável do fluxo aéreo;
-
Avaliação de atopia (alergia);
-
Exclusão de situações que podem confundir-se com a asma.
D) Como é possível identificar
as crises de asma e determinar a sua gravidade?
As crises de asma podem ser
ligeiras, moderadas, graves e com paragem respiratória iminente, consoante os
sintomas. Mas ter uma crise de asma significa, sobretudo, sentir dificuldade em respirar. As crises
muito graves podem pôr a vida em risco, por isso devem-se tomar todas as
medidas necessárias para as evitar e estar prevenido para as atacar o mais
depressa possível. Normalmente, as crises instalam-se lenta e progressivamente,
pelo que, se a pessoa estiver atenta, tem tempo para usar a medicação
(normalmente inalador) correspondente ao tratamento prescrito pelo médico e,
assim, afastar o perigo.
2 - Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)
A DPOC caracteriza-se por limitações na ventilação,
acompanhada por dificuldades respiratórias, tosse e aumento da produção de
expectoração. Os doentes são incapazes de desenvolver as suas actividades
diárias normais, em fases evoluídas da doença. Está normalmente associada aos
hábitos tabágicos, com índice de 20% de probabilidade dos fumadores contraírem
esta doença. A DPOC progride com a idade, levando a incapacidade e morte
prematura.
É uma doença de carácter progressivo, que provoca graves
limitações, podendo conduzir a incapacidade e morte prematura. A taxa de
mortalidade associada a DPOC, a nível mundial, tem vindo a aumentar, embora
este efeito esteja também relacionado com o envelhecimento da população. A
poluição urbana poderá contribuir para o desenvolvimento de DPOC, bem como a
poluição doméstica resultante de sistemas de aquecimento, entre outros. A
presença de hiperactividade brônquica e a atopia são também considerados como
factores de risco.
A DPOC e a asma podem coexistir. No entanto, DPOC é
diferente da asma. A DPOC está muitas vezes associada a um longo historial de
hábito de fumar; a asma está geralmente associada a alergias respiratórias e
ocorre numa fase precoce da vida. As alterações da função pulmonar na DPOC são
responsáveis pelo aparecimento de sintomas que são reportados pelo doente,
geralmente depois dos 40 anos. A nível patológico, há um processo inflamatório
anómalo que atinge as vias aéreas.
A) Estatísticas sobre DPOC
·
É a 6ª causa de morte
a nível mundial, a 5ª na Europa e noutros países desenvolvidos e a 4ª nos
Estados Unidos da América.
·
Cerca de 600 milhões
de pessoas em todo o mundo sofrem actualmente de DPOC.
·
Calcula-se que cerca
de 75% dos Europeus e 50% dos Americanos com DPOC estão sub-diagnosticados e
deficientemente orientados.
3 - Sinusites
Sinusite é
uma inflamação dos seios perinasais, geralmente associada a um processo
infeccioso. Os seios perinasais são formados por um grupo de cavidades arejadas
que se abrem dentro do nariz e se desenvolvem nos ossos da face. A infecção
sinusal segue-se frequentemente a uma rinite, alérgica ou infecciosa, dada a
continuidade de mucosas.
Grande parte das sinusites
nas crianças tem uma causa viral: rinovírus, adenovírus, vírus sincicial respiratório
e influenza.
A sinusite é uma doença
basicamente caracterizada pela acumulação de secreções nas cavidades da face e
que faz com que a população mundial sofra frequentemente de dores de cabeça,
secreções nasais e mau hálito, obstrução nasal e respiração bucal, entre outros
vários sintomas. Muitas vezes altera o dia-a-dia das pessoas e leva à perda de
dias de trabalho ou redução do rendimento profissional porque se repetem por
várias vezes ao ano, sendo inclusive confundidas com viroses e rinites.
Este problema atinge
indivíduos desde os primeiros anos de vida até a velhice, piorando devido a
variados factores como profissão, local onde reside, tendências genéticas,
hábitos e vícios, passado de traumatismos na face, tumores nasais e pólipos.
Como os sinais e sintomas das sinusites são variados, é importante que o
diagnóstico seja correcto e o tratamento procure corrigir os factores básicos,
estruturais, que levam à acumulação exagerada de secreções nas cavidades
perinasais.
4
- Rinites
Rinite
significa literalmente inflamação da mucosa nasal e manifesta-se por obstrução
nasal, rinorreia e espirros. As rinites constituem um conjunto de patologias
que têm etiologia diversa, destacando-se a rinite alérgica e não alérgica.
A
etiopatogenia da rinite alérgica é muito diferente da constipação, apesar de,
por vezes, se confundirem os sintomas. Trata-se de uma reacção de
hipersensibilidade mediada por anticorpos IgE a um alergénio. Existem 2 tipos
de rinite alérgica: sazonal ou perene (causada por agentes presentes o ano
inteiro).
Os
sintomas apresentam algumas diferenças em relação aos da constipação. A
rinorreia é geralmente aquosa, os espirros ocorrem em crises paroxísticas
agrupadas (em salva), prurido no nariz e no palato. O envolvimento ocular é
também bastante frequente, com sintomas de prurido, lacrimejo, fotofobia,
vermelhidão.
Das
rinites não alérgicas destacam-se a rinite idiopática ou vaso-motora, a
gravídica e a medicamentosa.
As alergias, podem revelar-se de várias formas - rinite alérgica, asma e
outras alergias respiratórias ou alergias cutâneas e alergias alimentares ou
medicamentosas entre outras. Em muitos casos não estão relacionadas com as
épocas do ano.
A rinite alérgica tem como agentes mais comuns os ácaros e os pólenes e
caracteriza-se pela presença de espirros, rinorreia, obstrução nasal, prurido
nasal e faríngeo, com prurido ocular e lacrimejo quando coexiste conjuntivite
alérgica. A rinite alérgica atinge cerca de 25 por cento da comunidade e é mais
frequente nas mulheres.
É também o distúrbio alérgico crónico mais comum entre as crianças,
afectando-lhes seriamente a qualidade de vida. Problemas funcionais,
comportamentais e diminuição da capacidade de aprendizagem, logo do rendimento
escolar, são algumas das principais consequências, sem mencionar os problemas
que se alargam a todo o meio familiar.
Como referido, a rinite alérgica é normalmente provocada pelos pólenes e
pelos ácaros. Assim, a doença tanto pode estar associada à sazonalidade como
não. Se o pólen for o principal agente, então é provável que a chegada da
Primavera potencie a sua ocorrência. Já os ácaros estão presentes durante todo
o ano. A humidade e as altas temperaturas são as condições ideais para o seu
desenvolvimento. Desta forma, para combater os ácaros e diminuir os riscos de
rinite alérgica deve-se manter um combate permanente e meticuloso contra o pó.
A poluição do ar interior não
é um problema do nosso século, nem mesmo a percepção de que é prejudicial à
Saúde, sobretudo no que diz respeito a alergias e restantes doenças
respiratórias. Já no início do séc. XVIII, higienistas afirmavam que uma
ventilação inadequada causava graves problemas de Saúde, mas foi ao longo dos
últimos 50 anos que o assunto foi estudado, notando aplicações práticas que
começaram logo pela introdução de medidas restritivas ao consumo de energia nos
lares.
Existem vários factores que
afectam a qualidade do ar dos lares. Poluentes exteriores como o pólen,
emissões provocadas pelo trânsito e pela indústria, entram nos edifícios
através de janelas abertas e sistemas de ventilação, por exemplo. Mas os
poluentes interiores danificam também a qualidade do ar, como sendo:
- Fumo de tabaco;
- Micróbios;
- Combustões (aquecedores a
gás, fogões, etc.);
- Emissões de materiais de
construção dos edifícios e mobílias;
- Aquecimento, ventilação e ar
condicionado, poeira ou sujidade nas
condutas, humidificadores, uso impróprio de biocidas, produtos de limpeza;
- Actividades de reparação,
obras (pinturas, adesivos e outros
produtos);
- Alcatifas e carpetes;
- Pesticidas;
- Animais de estimação;
- Condições não sanitárias;
- Indivíduos (odor do corpo,
odor dos cosméticos);
- Eventos acidentais.
A poluição do ar interior está
associada a um conjunto de efeitos na Saúde a curto e a longo prazo. Efeitos
imediatos poderão surgir logo depois de uma exposição aos factores poluentes,
como sendo irritação dos olhos, nariz e garganta, dores de cabeça, doenças e
fadiga. De acordo com alguns estudos, citados no Journal
of Environmental Monitoring, cerca de 20% da população sofre de asma ou outras
alergias causadas por substâncias tipicamente presentes em ambientes fechados.
Outros danos na Saúde podem tornar-se aparentes apenas alguns anos depois da
exposição aos factores poluentes, como doenças respiratórias, doenças
cardiovasculares e cancro.
O facto das populações
modernas passarem a maior parte do seu tempo (85 a 90%, de acordo com o European Journal
of Allergy and Clinical Immunology) em ambientes fechados, seja em casa ou no trabalho, leva os especialistas na área do
sistema respiratório a preocuparem-se cada vez mais com a qualidade do ar
interno.

