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Acne: porquê? quando? consequências? tratamento?

2008-10-31 13:25:43 | Disponível em RSS | Imprimir

Acne: porquê? quando? consequências? tratamento?

 

1. O que é a Acne?



A Acne é uma doença das unidades pilossebáceas que é observada predominantemente em jovens e localizada quase sempre na face e tronco. É uma patologia muito comum, afectando cerca de 80% dos adolescentes e jovens adultos com idades compreendidas entre os 11 e os 30 anos de idade.

As unidades pilossebáceas são constituídas pelo folículo piloso (invaginação do revestimento superficial da pele onde se forma o pêlo) e por uma glândula sebácea associada, que lança a secreção no interior do folículo, através do qual atinge a superfície cutânea. São mais numerosas no couro cabeludo, face, pescoço e parte superior do tronco mas, enquanto no couro cabeludo o componente piloso é dominante, nas outras regiões e localizações frequentes da acne predomina o elemento sebáceo.


2. Como surge?


Os factores mais importantes no aparecimento da Acne são: a alteração do crescimento das células do folículo piloso - que provoca a acumulação de células mortas no seu interior - e o aumento da dimensão das glândulas sebáceas com produção excessiva de sebo (substância oleosa produzida por estas glândulas). Estes factores estão na origem do microcomedão, uma lesão microscópica que poderá evoluir formando os pontos brancos e negros. A acumulação de sebo e células mortas, por seu lado, também favorece o crescimento das bactérias que vivem nos poros e que contribuem para o aparecimento de inflamação. Quando ocorre o processo inflamatório, pode desenvolver-se vermelhidão em torno do folículo originando borbulhas maiores, as pápulas, pústulas ou nódulos.

A partir da puberdade, o aumento da secreção de hormonas sexuais masculinas, característico dessa idade em ambos os sexos, ocasiona em alguns jovens uma resposta anormal do folículo pilossebáceo, que se traduz na excreção de sebo mais abundante e na modificação das características do revestimento dos folículos, o que dificulta a drenagem do sebo. Em consequência disso, formam-se os comedões abertos e fechados.

O comedão aberto constitui o conhecido "ponto negro", que corresponde ao orifício dum folículo pilossebáceo aberto mas obstruído por rolhão de sebo. O comedão fechado, ou "ponto branco", resulta da retenção de sebo num folículo em que o orifício não é visível a olho nu e manifesta-se por pequena elevação arredondada, do tamanho aproximado de cabeça de alfinete e cor esbranquiçada.

A formação de comedões, e a consequente estase na drenagem sebácea, acompanha-se de colonização dos folículos por bactérias e leveduras. Um desses agentes microbianos, o Propionibacterium acnes, parece ter papel importante na evolução subsequente da doença. A inflamação, que leva ao aparecimento das pápulas e pústulas, é desencadeada e mantida por substâncias chamadas mediadores da inflamação, produzidas em grande parte por acção aquela bactéria.

As pápulas, popularmente designadas por "borbulhas", com aspecto de pequenas saliências vermelhas e arredondadas, têm dimensões próximas dum grão de arroz. As pústulas são, também, lesões salientes e volume semelhante, mas contendo pus.

Os nódulos inflamatórios são maiores, nalguns casos com mais de 1 centímetro de diâmetro, têm cor vermelha e são frequentemente dolorosos. Resultam de processo inflamatório mais intenso, com maior extensão. Os cistos, também volumosos e arredondados, com ou sem sinais inflamatórios, têm conteúdo viscoso, cremoso e amarelado.
As lesões referidas localizam-se predominantemente na face e parte superior do tronco. O aspecto clínico da acne depende do número de lesões e da importância relativa de cada tipo.

De acordo com os diversos tipos de lesões que provoca, é possível definir três tipos básicos da Acne: a Comedónica, a Pápulo-pustulosa e a Nódulo-quistica. Um pequeno, médio ou vultuoso número de cada uma das lesões elementares observáveis nos diversos tipos básicos da Acne permite gradua-los em ligeiro, moderado e grave e estabelecer um quadro com interesse não só classificativo mas fundamentalmente servindo com base para o seu tratamento.





3. Quando ocorre?


A acne inicia-se na puberdade, raramente antes, e atinge o máximo de prevalência aos 14 anos no sexo feminino e aos 16 no masculino. A partir dessas idades a frequência diminui progressivamente e desaparece, em regra, antes dos 25 anos. Persiste em cerca de 5% das mulheres e 3% dos homens, por vezes até aos 60 anos.

Para além da idade, a prevalência é influenciada por factores hereditários e raciais: é mais frequente nalgumas famílias, observa-se mais na raça branca que na negra e é raríssima nos esquimós e índios americanos.
Parece ser menos frequente em países com radiação solar de maior intensidade, sendo controverso o papel da dieta no seu aparecimento. Embora se atribuam agravamentos da doença a certos alimentos, como o chocolate, não há prova científica de tal facto.



4. Consequências da Acne

A Acne tem um impacto muito significativo na qualidade de vida dos doentes, uma vez que afecta o bem-estar emocional e relações sociais, causando situações de embaraço, inadaptação nas relações sociais, depressão e ansiedade.

As consequências psicológicas da Acne podem ser bastante graves, tanto na adolescência como depois desse período. Estudos comparativos demonstram mesmo que a Acne afecta os seus doentes nos planos emocional, psicológico e relacional em grau semelhante e superior ao verificado em doenças crónicas clássicas, como por exemplo, a asma, epilepsia, diabetes e artrite. Taxas mais elevadas de insucesso escolar e de desemprego, depressão e ansiedade, rejeição social e isolamento são algumas das principais repercussões negativas desta patologia.




5. A realidade portuguesa


Em Portugal, os Dermatologistas estão atentos às evoluções nesta área. O acompanhamento dos doentes com Acne por estes especialistas garante a utilização dos tratamentos mais eficazes, contribuindo desta forma para a melhoria substancial da qualidade de vida destes doentes, o que tem um impacto muito positivo na sua auto-estima. Por esse motivo, a consulta de Dermatologia é sempre uma boa opção para todos os doentes com Acne.





6. Tratamento da Acne


Na procura de solução para a Acne, o sexo feminino predomina comparativamente ao masculino, revelando uma maior preocupação e iniciativa neste sentido. Entre as soluções que ajudam a melhorar o aspecto da pele e a atenuar os efeitos nocivos da doença, existem alguns cuidados que devem ser respeitados por ambos os sexos: nunca espremer os pontos brancos e negros de modo a diminuir o risco de cicatrizes; não lavar a pele exageradamente; utilizar produtos dermatológicos suaves, sem álcool e não comedogénicos, ou seja, que não provoquem Acne; evitar a exposição solar em excesso, bem como ao vento ou frio.


Para o tratamento da Acne existem medicamentos tópicos - de aplicação directa na pele - e orais (sob a forma de "comprimidos"). Cada um deles tem indicações próprias, de acordo com o tipo de Acne, (grau de severidade) gravidade, localização, extensão, idade e sexo.


Medicamentos retinóides - Os medicamentos retinóides têm uma acção dupla: tratam as lesões da Acne (os pontos negros e brancos e as "borbulhas") e mantêm a pele limpa. Estes conseguem desobstruir os poros, impedir que as células da pele voltem a obstruí-lo e reduzem a inflamação.


Antimicrobianos e antibióticos - Estes medicamentos são usados muitas vezes em associação com os retinóides para eliminar as bactérias que vivem nos teus poros, prevenindo, assim, o aumento da inflamação em redor das lesões.


Tratamentos hormonais - Nas mulheres, é, por vezes, necessário usar tratamentos hormonais ("pílulas") para reduzir a produção de sebo pela pele.














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Carla Rodrigues - 96 204 47 46 - crodrigues@mediahealthportugal.com

Andreia Pinto - 96 137 64 66 - apinto@mediahealthportugal.com

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