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Óleos de peixe - ácidos gordos essenciais na alimentação

2008-11-12 16:40:10 | Disponível em RSS | Imprimir

Óleos de peixe - ácidos gordos essenciais na alimentação

Introdução

A alimentação é um dos factores exteriores ao Homem que maior influência exerce na sua saúde e, consequentemente, na sua qualidade de vida.

Uma alimentação desajustada das necessidades vitais do Homem pode estar na origem de diversos problemas de saúde.

Actualmente, vive-se uma situação paradoxal no que toca a esfera da alimentação, dado que as doenças provocadas por carências alimentares co-existem com as provocadas pelos excessos.

Enquanto em alguns pontos do globo ainda se morre por carências nutricionais graves, proteicas, calóricas e vitamínicas, nos países ditos desenvolvidos e industrializados, a morbilidade e mortalidade por causas relacionadas por erros alimentares são cada vez maiores.


Afinal, o que se entende por gorduras em termos nutricionais?

As gorduras constituem um grupo heterogéneo de substâncias, como óleos, ceras, fosfolípidos e outros compostos relacionados.

A forma mais comum desta substância nos alimentos são os triglicerídeos, que são compostos por uma molécula de glicerol, esterificada por três ácidos gordos.

Os ácidos gordos são a forma mais simples em que são decompostas as gorduras.

A gordura é uma excelente fonte de energia (9 Kcal/g), sendo igualmente a forma de armazenamento de energia não necessária ao organismo, qualquer que tenha sido a forma de ingestão. Por exemplo, hidratos de carbono ingeridos em excesso, são transformados em ácidos gordos e armazenados no tecido adiposo.

Para além da função energética, a gordura alimentar é necessária para a síntese dos fosfolípidos das membranas celulares e de inúmeras outras substâncias, participam na regulação térmica do organismo e facilitam o transporte e a absorção das vitaminas lipossolúveis (vitaminas A, D, E e K).

As gorduras líquidas, como o azeite e os óleos, são grandes fornecedores de ácidos gordos, seguidas da manteiga, margarina e banha.


Ácidos gordos

Os ácidos gordos podem ser classificados, de acordo com a sua estrutura química, em saturados e insaturados. Dentro da classe dos insaturados, podem classificar-se em monoinsaturados e polinsaturados.

Os monoinsaturados são os ácidos gordos ómega-9. O mais conhecido é o ácido oleico que se encontra sobretudo no azeite, embora também exista no abacate, nas amêndoas, nas nozes e nos amendoins. Os ómega-9 não são essenciais: - quando há défice alimentar, são endogenamente compensados por aumento da sua síntese no fígado.

Os ácidos gordos poliinsaturados podem pertencer a 2 grandes famílias: os ómega-3 e os ómega-6. Existem dois tipos de ácidos gordos poliinsaturados. Os ácidos gordos ómega 6 e o ómega-3.

Os ómega-6 estão disponíveis, sobretudo, nos óleos vegetais.


Os ómega-3 derivam:

a) de plantas - ácido linoleico que existe no óleo de linhaça, no óleo de soja e no óleo da semente de colza;

b) de fontes marinhas - o DHA ácido docosahexanóico, proveniente de peixe, da foca, da baleia, de marisco e o EPA ácido eicosapentaenóico, que também existe no peixe e marisco. O abacate e o óleo de cânola são também ricos em ómega-3.



Ómega 3

Os ómega-3 e 6 são considerados ácidos gordos essenciais, porque sendo indispensáveis para múltiplas funções, o organismo não é capaz de o sintetizar, pelo que têm que ser fornecidos pelos alimentos ou suplementos. Os seres humanos não possuem enzimas que convertam as gorduras em ácidos gordos ómega-3 e 6, pelo que eles têm que ser separadamente adquiridos através das fontes nutricionais.

Quando, no regime alimentar, um dos tipos de ácidos gordos (ómega-3 ou ómega-6) é consumido em excesso, o metabolismo do outro poderá diminuir, pelo que se aconselha aporte nutricional equilibrado para cada um deles.

No entanto, a alimentação ocidental é abundante em ómega-6, a partir de óleos vegetais ricos em ácido linoleico, o qual se encontra disponível no milho ou no girassol. Daí que os suplementos mais úteis e necessários sejam os que fornecem ómega-3.

É importante referir que nos países ocidentais, sobretudo a partir dos anos 60, passou-se a consumir mais óleos vegetais por serem recomendados como medida segura para baixar os níveis de colesterol.

A propósito do peixe, é importante saber que este constitui um óptimo alimento. Existem, entretanto, na população portuguesa muitos mitos que não são verdadeiros. A maioria das pessoas ainda considera que o peixe mais gordo, a que chamam "peixe azul" (como por exemplo o arenque, a truta, a carpa, a anchova, o atum, a cavala, a sardinha e o salmão) são prejudiciais à saúde. O peixe menos gordo ou peixe branco (abrotia, faneca, tainha, linguado, pescada) é aquele que é considerado como saudável, pelo que deve ser consumido preferencialmente pelos indivíduos doentes.

Outras pessoas acreditam que, qualquer que seja a margarina, indiferentemente da sua composição e/ou consistência, esta gordura é sempre superior à manteiga no que respeita à saúde, ao passo que o azeite não é tão bom quando comparado com qualquer dos óleos vegetais alimentares existentes no mercado.

Estes falsos mitos têm que ser combatidos para que não se cometam erros nutricionais. É necessário que campanhas e mensagens preventivas devam ser constantemente implementadas com o objectivo de consciencializar a população para factores de risco e para a necessidade de adopção precoce de medidas preventivas.


Em 1997, num inquérito realizado pela Matris em Portugal (no Litoral, no Norte, no Centro, no Sul, no Interior, em Lisboa, no Porto), muitos dos inquiridos estavam conscientes de que qualquer gordura é prejudicial à saúde. Metade deles também considerava a gordura do peixe (gordo) nociva à saúde e, cerca de 10%, achava que o azeite não era igualmente bom para a saúde.

A título de curiosidade, muitos estudos epidemiológicos foram realizados nos anos 70, na Gronelândia, sobre a incidência da doença cardiovascular na sua população, tendo-se verificado que a mesma era de baixa incidência, embora a alimentação da população fosse rica em gorduras.

Foi ainda observado que a taxa de mortalidade cardiovascular era cerca de oito vezes menor do que a dos esquimós que passaram a viver na Dinamarca e cuja alimentação passou se ser predominantemente europeia (rica em ácidos gordos saturados e pobre em ácidos gordos insaturados). Foi também verificado que outros povos, tais como os japoneses que comem muito peixe, tinham igualmente um baixo índice de mortalidade por doença cardiovascular.

A razão que levou investigadores dinamarqueses - Bang e Dyerberg - a relacionarem a baixa mortalidade da doença com os ácidos gordos da alimentação, a qual consistia essencialmente em peixe gordo, baleia, foca e orca, foi a de que a relação entre a mortalidade por doença coronária e o consumo de peixe é inversa. Iniciaram-se, a seguir a estas observações, estudos de correlação causa-efeito, procurando identificar-se que mecanismos de acção seriam responsáveis por esses resultados.

A maioria dos estudos permitiu confirmar a associação inversa entre consumo de peixe e risco de doença coronária, verificando-se que quanto maiores fossem as concentrações plasmáticas em ómega-3, tanto mais significativa era a redução do risco de morte súbita, quer em doentes pós-enfarte do miocárdio, quer noutras populações de alto risco para o desenvolvimento de doença coronária.

Estas observações ficaram demonstradas numa revisão sistemática de onze estudos prospectivos, levada a cabo por Marckmann e Gronback, a qual foi publicada em 1999.

Em vários outros ensaios clínicos foram avaliados os efeitos não só do consumo de peixe, mas também de suplementos de óleos de peixe em portadores de doença cardiovascular.



Os benefícios do óleo de fígado de bacalhau

O óleo de fígado de bacalhau é um produto alimentar com uma história bem conhecida que se estabeleceu inicialmente nas comunidades das zonas costeiras de pesca - Escócia, Islândia, Noruega e Gronelândia - há centenas de anos atrás, quando era utilizado para proteger do frio agreste que caracteriza estas zonas do globo.

É extraído do bacalhau cozinhado, assim como os óleos de peixe são extraídos de tecidos cozinhados de peixes gordos. No entanto, a composição do óleo de fígado de bacalhau e dos outros óleos de peixe é diferente, daí o interesse desta associação única e complementar - o óleo de fígado de bacalhau é mais rico em vitaminas lipossolúveis A e D, enquanto os óleos de peixe são mais concentrados em ácidos gordos ómega-3.



Conclusão

Os ácidos gordos essenciais, como os ómega-3 EPA e DHA, estão directamente envolvidos em diversos processos biológicos do nosso organismo, desde o normal desenvolvimento do cérebro e da visão até à regulação da pressão arterial e dos mecanismos de defesa do sistema imunitário.

Os ómega-3 são popularmente conhecidos, sobretudo pela sua importante contribuição para a prevenção das doenças cardiovasculares, nomeadamente pelo seu contributo para baixar os níveis de triglicerídeos e de colesterol LDL, o mau colesterol.

No que diz respeito a estas últimas acções, saliente-se que a alimentação rica em peixes gordos e a toma regular de um suplemento adequado constituem atitudes preventivas benéficas e eficazes.

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